sexta-feira, 23 de outubro de 2009

As nossas modas



Um dos "Dinossauros" do grupo: Martinho Marques
"A poesia e a voz inconfundivel num
dos altos de referência do cante alentejano"



Pedro Calado
"Talento e versatilidade, numa das mais belas vozes dos "Almocreves""

ÉVORA MINHA

Praça do Giraldo
As suas arcadas
De lindas janelas
Em casas singelas
De branco caiadas

Ó Évora minha
Cidade linda
És minha terra
Ai quem nos dera
Lá voltar ainda

São Brás, São Francisco
Ver a capelinha
A Sé Catedral
Não vi outra igual
Ó Évora minha

És Moura encantada
E foste romana
Teu velho granito
Cheio de história e mito
Templo de Diana

Autor: Martinho Marques



Luis Saúde: "Lá vem a cegonha...As nuvens que andam no ar..."

QUANDO EU ERA GANHÃO

A abelha faz o mel
Do trigo se faz o pão
Lá prós lados de Portel
Quando eu era ganhão

Quando eu era ganhão
Lá prós lados de Portel
De samarra e gabão
Na alcofa pão e mel

Na alcofa pão e mel
São tempos que já lá vão
Lá prós lados de Portel
Quando eu era ganhão

Tenho terras por lavrar
Semear e colher
Para que eu possa dar
A vida a quem quer viver

Autor: Tolentino Cabo



Francisco Rasgado: "Sanona"
Um dos grandes capitães e "mestre do ponto no cante alentejano"



Manuel Francisco: "Serrano"
"...A voz rasgada da antiga Aldeia da Luz..."

PASTORES DO ALENTEJO

Toda a vida fui pastor
Toda a vida guardei gado
Tenho uma nódoa no peito
De me encostar ao cajado

Pastores do Alentejo
Encostados ao cajado
Vestem a sua samarra
Vão cantando atrás do gado

Quando rompe a bela aurora
O sol virado ao Tejo
Encostados ao cajado
Pastores do Alentejo

Fui á feira comprar gado
Voltei sem nada trazer
O que era do meu agrado
Não era para vender

Autor: Martinho Marques



Tó-Zé Caeiro: "Fui á lenha..."

QUANDO O PASTOR ADORMECE

Quando o pastor adormece, linda rosa
Numa noite de luar
Olha para o céu e parece
Ver o rebanho a pastar

Faz das pedras cabeceira, linda rosa
O restolho é o colchão
Tem deitado á sua beira
O fiel amigo cão

Suplentes os chocalhos, linda rosa
A mochila mais o tarro
A manta como agasalho
Os safões e o samarro

Envolvido nesse sonho, linda rosa
Pastoriando o seu gado
Viu nas estrelas o rebanho
Ursa maior o cajado

Já a lua vai tão alta, linda rosa
O rebanho se tresmalha
Ele acorda em sobressalto
Olha para o céu e ralha

Ó lua que me levas-te, linda rosa
Para esta fantasia
Mais uma vez me enganas-te
É de noite e não de dia

Autor: Martinho Marques



"Almocreves em actuação no Teatro Garcia de Resende



"Almocreves em actuação de rua, frente ao edifício da Câmara Municipal de Alcochete"

VIÚVAS DO MONTE

Viúvas do monte
Aldeia ou lugar
De luto para sempre
Muito raramente
Voltam a casar

Cabeças cobertas
Nunca mais ao léu
Ao calor intenso
Negro, negro lenço
Mais negro chapéu

Mais negro chapéu
Do seu ente querido
Foi em vida usado
Pelo bem amado
Sempre o seu marido

De leviandade
Ninguém lhes aponte
De preto vestidas
Para toda a vida
Viúvas do monte

Autor: Martinho Marques



Ricardo Caeiro: "Pastores do Alentejo"

CANTA ALENTEJANO CANTA

Eu gosto muito de ouvir
Aqueles que cantam bem
E aqueles que bem não cantam
Gosto de os ouvir também

Canta alentejano canta
O teu cante é oração
Tens a alma na garganta
Solidão ai não, ai não

Solidão ai não, ai não
Quem canta seus males espanta
O teu cante é oração
Canta alentejano canta

Eu gosto muito de ouvir
Cantar a quem aprendeu
Se houvera quem me ensinara
Quem aprendia era eu

Autor: Martinho Marques



"Um dos locais predilectos de convivio, e de ensaio...a mesa"



HÁ UM SOBREIRO VELHINHO

Há um sobreiro velhinho
Que nasceu à meia encosta
É a casa dos pardais
Malhada dos animais
Faz sobra que o pastor gosta

Faz sobra que o pastor gosta
Nos dias quentes de verão
Põe o seu gado ao acarro
Da cortiça faz um tarro
Corta a lenha faz carvão

Corta a lenha faz carvão
E nasce um novo raminho
Da primavera ao inverno
Deus queira que seja eterno
Há um sobreiro velhinho

O sobreiro é obrigado
A sustentar a cortiça
Quem não ama de vontade
Seja qual for a idade
Não se obriga por justiça

Autor: Martinho Marques



Luisinho: "A criançada dando os primeiros passos pelo cante alentejano"

AMIEIRA; AMIEIRA

Ó Amieira, Amieira
Quem te viu e quem te vê
Na encosta soalheira
Grandes obras na ribeira
Todos sabemos porquê

Nas suas tascas castiças
Á tardinha e ao serão
Cantam-se abaladiças
E fala-se das cortiças, ó ai, ó ai
Nos cortes e do carvão

Tem a reserva nas arcas
Esta gente hospitaleira
Há sempre achigãs e carpas
O javali com silarcas, ó ai, ó ai
Caldeiradas na ribeira

No guadiana e Degebe
Hà montarias e pescas
Anedotas muito breves
Cantigas dos Almocreves, ó ai, ó ai
Bailes, touradas e festas

Autor: Martinho Marques

PREGÃO DO ALMOCREVE

Os Almocreves, cantavam alegres, pelas aldeias
Lavravam a terra, subiam à serra, p'ra ver as colmeias
Tratavam do gado, ceifavam no prado, o feno e a palha
Bebiam nas fontes, iam aos montes, vender a tralha

Mel, águamel, piões e cordel, fisgas e loisas
Cantaros panelas, alguidares tijelas e outras coisas
Vestiam calça estreita, colete ou jaqueta, camisa riscada
Lenço de caixoné, usavam boné e a bota untada

Lá de vez em quando, faziam contrabando, com sacrifício
A história descreve, que o Almocreve, tinha sete oficíos
Com chuva e vento, carroça, jomento, cascavel e esquila
Samarra, safões, faziam pregões, ao chegar à vila

Cal branca, a vender se canta, quem quer cal
Oregãos e cardos, cilarcas e espargos, poejos do vale
Quem tem ferro velho, peles de coelho, raposa ou de lebre
Pregão em cantiga, assim era a vida, do Almocreve

Autor: Martinho Marques

O coordenador do grupo: Tolentino Cabo
PRIMEIRO BEIJO

Eu aprendi a cantar
No campo ceifando o trigo
Se eu podera atrás voltar, meu amor
De novo
De novo ceifar contigo

De novo ceifar contigo
E levar molhos ao releiro
E atrás do mesmo, roubar-te, meu amor
Aquele
Aquele beijo primeiro

Aquele beijo primeiro
Nunca mais houve outro igual
O teu corpo cheirava a feno, meu amor
Os lábios
Os lábios sabor a sal

Os lábios sabor a sal
Era azul o teu vestido
Se eu podera atrás voltar, meu amor
De novo
De novo ceifar contigo

Autor: Martinho Marques

CEGONHA

Lá vem a cegonha
No bico um raminho
De meia encarnada
Vem dando chegada
Ao seu velho ninho

Ao seu velho ninho
Ponha ovos ponha
Que seja bem vinda
Branquinha tão linda
Lá vem a cegonha

Senhora segonha
Como tem passado
Não há quem a veja
Voar p'ra igreja
Pousar no telhado

Lá vem a cegonha
No bico um raminho
De meia encarnada
Vem dando chegada
Ao seu velho ninho

Ao seu velho ninho
Ponha ovos ponha
Que seja bem vinda
Branquinha tão linda
Lá vem a cegonha

Quando chega Agosto
O bando levanta
Anunciando a hora
Que se vai embora
Levam meia branca

Lá vem a cegonha
No bico um raminho
De meia encarnada
Vem dando chegada
Ao seu velho ninho

Ao seu velho ninho
Ponha ovos ponha
Que seja bem vinda
Branquinha tão linda
Lá vem a cegonha

Autor: Martinho Marques

TERRA MÃE

Alentejo dos montados
Da cortiça e o azinho
Dos grandes trigais dourados
Raça corcel nos prados
Mel, azeite, pão e vinho

Ó terra mãe
Mel, azeite, pão e vinho

Alentejo deu á nação
Reis, condes, descobridores
Poetas e artesãos
Cada verso uma canção
E muito conservadores

Ó terra mãe
E muito conservadores

Alentejo terra mãe
Do barro, sol e mar
Ao sol posto a noite vem
Daquelas que Agosto tem
Cantam grilos ao luar

Ó terra mãe
Cantam grilos ao luar

Pastor, rebanho e rafeiro
Silêncio, paz e distância
Em cada rosto trigueiro
Do almocreve carreiro
Espelho de amor e esperança

Ó terra mãe
Espelho de amor e esperança

Para honrar a tradição
Dos nossos antepassados
As mulheres têm razão
Dessa forma como são
Homens cantam abraçados

O terra mãe
Homens cantam abraçados

Alentejo terra mãe
Do barro, sol e mar
Ao sol posto a noite vem
Daquelas que Agosto tem
Cantam grilos ao luar

Ó terra mãe
Cantam grilos ao luar

Autor: Martinho Marques

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

"Almocreves em Alcochete"






A convite da Câmara Municipal de Alcochete, no âmbito da 7.ª edição do Festival de Expressões Ibéricas, os Almocreves da Amieira espalharam o perfume do cante alentejano pelas ruas da localidade.